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Common: Universal Mind Control

Certo dia, Common, autor de vários álbuns clássicos e um dos emcees mais respeitados atualmente, estava pensando sobre sua vida profissional e sua recente entrada no mundo do cinema. Satisfeito com o resultado, ele resolveu fazer um disco diferente dos mais recentes, um álbum mais eletrônico e leve do que introspectivo e cheio de samples de soul. Para esta empreitada, ele chamou o produtor Pharrell Williams, do Neptunes, para ajudá-lo na confecção do projeto, que se chamaria Universal Mind Control.
“Pharrell, eu quero um álbum mais dançante, para tocar nas pistas, algo mais leve, diferente do que eu tenho feito. O rap tem entrado numa moda meio eletrônica, quero experimentar com isso”, explicou Common. Imediatamente, Pharrel aceitou o convite e os dois começaram a trabalhar. Na primeira sessão, gravaram Universal Mind Control, num beat com um loop até legalzinho, embora enjoativo, mas que funcionaria bem nas boates. Empolgado, Common começou a escrever suas rimas tradicionais, complexas, cheias de significado. Entretanto, foi alertado por Williams da proposta do álbum: “Seja mais simples, isso não funciona num hit!”, ralhou. Common concordou com o amigo, e, mesmo contrariado, reeescreveu seu verso, dessa vez de forma mais simples. “Compensarei usando um flow sinistro”, pensou.

Felizes com o resultado, lançaram a faixa na internet e continuaram trabalhando. Announcement foi a segunda música gravada, e seguia a toada da antecessora. O beat com um loop funkeado e samples vocais empolgou Common, que escreveu dois versos muito bons, cheios de referências a antigos sucessos do rap, inclusive do próprio emcee. Infelizmente, o beat era tão bom que até Pharrel resolveu rimar em cima. Constrangido, Common teve de ceder. “Ele tem me ajudado muito. Falou um monte de merda na rima, mas até que a levada foi legal”, pensou.

Depois, vieram ouras três faixas do tipo: Sex 4 Sugar, What a World e Everywhere(esta última, cortesia de Mr. DJ, amigo dos emcees). Foi aí que Common viu estar tomando uma direção estranha. Ele havia usado um flow meio old school em What a World que tinha funcionado bem, mas não estava satisfeito. Pharrell, por sua vez, estava radiante com o resultado. “Veja, Common, estamos fazendo um clássico!”, exclamou. Logo depois, resolveu ir tirar uma água do joelho para depois continuar a produção de clássicos. Neste momento, Common teve uma luz: “É agora ou nunca”, decretou. Assim, aproveitou a ausência de Pharrell e gravou três faixas bem diferentes das outras.

Primeiro, surrupiou a melhor batida que Pharrel havia feito e gravou Gladiator. A faixa, com bateria mais tradicional, era dividida em sua estrutura por saxofones espetaculares, meio preguiçosos, enquanto a primeira parte dos versos ficava por conta de um sintetizador. O sample vocal do refrão foi a cereja no bolo para que Common escrevesse como nos tempos de Be. Aproveitando a toada, usou um CD de beats de Mr. DJ que estava na sua mochila e escolheu o beat mais “ensolarado” possível para gravar Changes. “Este é o clima que eu quero, uma atmosfera de verão. Foi isso que eu havia dito à imprensa no começo do ano. Acho que me enganei nas primeiras faixas”, pensou, meio arrependido. Esse arrependimento fez-se presente na faixa, uma vez que Common resolveu escrevê-la de uma forma totalmente diferente do restante do álbum. Falou sobre Obama, sobre mudanças, esperança, etc. Por fim, chamou Muhsinah, que havia o impressionado com sua participação no último álbum do Foreign Exchange, para cantar o refrão, e ainda colocou uma criança fazendo um interlúdio no final.

Common já podia ouvir Pharrell cantarolando Beautiful, hit dele com Snoop Dogg, a caminho da sala de gravação. “Meu Deus, só falta agora ele querer fazer aquele falsete escroto em algum refrão do disco!”, assustou-se. Apavorado, ele tratou de aproveitar o tempo que restava para gravar mas uma faixa. Assim surgiu Inhale, com um ótimo sintetizador permeando toda a faixa, além de scratches certeiros no refrão. Quando Pharrel voltou para a sala, tinha uma surpresa para o amigo. “Olha quem eu trouxe para fazer uma participação no disco!”, disse, enquanto apresentava Kanye West. “Nossa, pior que o falsete do Pharrell, só o autotune do Kanye!”, desesperou-se Common. Dito e feito. A dupla gravou Punch Drunk Love, com ‘Ye cantando normalmente o refrão. Porém, os temores de Common se confirmaram, e ele viu o novo astro pop usando o autotune para colocar no fundo da faixa, que, apesar disso, não ficou tão ruim.

No apagar das luzes, Common chamou seu amigo Cee-Lo para cantar um refrão na última faixa a ser gravada. Make My Day, uma faixa uptempo, com um andamento bem acelerado da bateria, foi abençoada com a performance de Cee-Lo, o que empolgou bastante Common, o que deu para notar até no flow dele na música. Com o disco pronto, Common agradeceu, educamente, agradeceu a ajuda de Pharrell. “Espero que nós possamos trabalhar juntos mais vezes. Oh-oh-oh!”, disse o produtor, emendando Beautiful. O emcee deu um sorriso amarelo, e voltou para casa. No caminho, voltou pensando que poderia ter dado um laxante para que o amigo passasse mais tempo no banheiro. Sentiu-se culpado por pensar isso, afinal Pharrell tinha contribuído com bons beats. Então, tomou uma decisão: voltaria a fazer filmes por mais um tempo, enquanto seu novo trabalho rendesse nas pistas.

Common - Universal Mind Control
1. Universal Mind Control (UMC)
2. Punch Drunk Love (feat. Kanye West)
3. Make My Day
4. Sex 4 Suga
5. Announcement (feat. Pharrell)
6. Gladiator
7. Changes (feat. Muhsinah)
8. Inhale
9. What a World (feat. Chester French)
10. Everywhere (feat. Martina Topley-Bird)

A princípio, não vou colocar link para downlad aqui no post, para evitar qu o Blogger delete o post e traga problemas para o blog. Percebi que esss lançamentos maiores são os que chamam a atenção do Blogger. Colocarei o link num dos comentários do post.

Posted by Felipe Schmidt December 2008